Fala-me de música

Músicos célebres

Adriano Correia de Oliveira

Nortenho de gema, em Avintes, ali pertinho da cidade do Porto, chegou ao mundo em 9 de Abril de 1942. Feitos os estudos obrigatórios, ainda muito jovem, pois contava apenas 17 anos, ingressou na Universidade de Coimbra, para frequentar o curso de Direito, que aliás acabou por não concluir.
Integrou-se, com muita facilidade, no meio académico, onde foi muito estimado e admirado, sobretudo pelos dotes vocais e pelas excelentes interpretações da canção coimbrã. Tornou-se membro do Orfeão Académico e colaborou em múltiplas demonstrações culturais e, activamente, nos movimentos estudantis dos anos sessenta.
Colaborou em inúmeras serenatas, em manifestações musicais e cultivou, por gosto e com muita qualidade, a balada (um género de música que José Afonso traz para o campo artístico, de que é, porventura, o melhor intérprete). Ao mesmo tempo, embrenha-se na recolha, na selecção e gravação de canções populares, desde as ilhas a todos os cantos do continente, onde sobressaem trechos do riquíssimo folclore minhoto, beirão e açoreano.
Gravou variadíssimos álbuns, cantando poemas dos mais variados autores portugueses e melodias que encantaram e prevaleceram como baluartes da canção de intervenção.
No seu repertório aparecem diversas trovas, (esse tipo de música que na Idade Média os aventureiros da cultura, percorrendo a Europa levavam, de terra em terra, as melodias de origem, vindas, muitas vezes, não se sabia de onde, mas que era uma forma de dar a outras pessoas as tradições, a cultura, as lendas, os costumes, os romances, o estilo de vida, que, desta forma, eram apresentados nas localidades a que chegavam e, posteriormente, também daqui transportados para outras terras).
Gravações feitas no antigo regime são um testemunho do seu profundo amor à causa da Liberdade, para a qual sempre deu o seu melhor, no sentido de levar mensagens e um pouco de conforto aos companheiros exilados, presos ou que tinham de sufocar as ideias democráticas. Ao lado de José Afonso, Manuel Freire, Luísa Bastos, José Jorge Letria, padre Fanhais, José Mário Branco, e outros tantos, foi, repito, um baluarte na defesa da Liberdade e na implementação da chamada "canção de intervenção", com a tal finalidade de reconfortar e animar os companheiros da vanguarda e da retaguarda e manter bem viva a chama da Esperança e da tão ambicionada Liberdade.
Muito cedo nos deixou, quando estava no auge da sua carreira. Viveu um pouco da música e do seu posto de trabalho na Embaixada de Angola no Porto. Estava ainda a terminar o curso de Direito. A morte, porém, a 16 de Maio de 1982, com apenas 40 anos, devido a uma doença súbita, surpreendeu-o, na terra que lhe deu a luz, expirando nos braços da mãe.

José Fernandes da Silva

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