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Músicos célebres

Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Gonzaga - conhecida no mundo da música por Chiquinha Gonzaga - nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1847. A mãe era uma mulata solteira, que engravidou de um militar de alta patente, que mais tarde ascenderia a chefe de gabinete de um ministro. Era, portanto, filha bastarda, todavia, a família do pai tomou conta dela e educou-a esmeradamente, tendo aprendido línguas e piano. Aos 13 anos o pai decidiu casá-la com um oficial da marinha mercante e também armador, que tinha o dobro da sua idade, por julgar que era um excelente partido para a filha. O marido obrigava-a a viajar com ele e não permitia que se relacionasse com ninguém, sobretudo com o sexo masculino e dele gerou cinco filhos. O marido não gostava de música e detestava o piano, que ela tocava primorosamente e acabou mesmo por vendê--lo. As discussões eram frequentes e cada vez mais incontornáveis, o que a levou a abandoná-lo, levando consigo os filhos e fixado residência na sua cidade natal.
Apaixona-se por um engenheiro e com ele parte para desertos, onde este dirigia a construção de estradas. Também tal degredo a exaspera e decide abandoná-lo, juntando-se a um flautista, com um enorme ardor, que foi sol de pouca dura.
Sensual e atrevida entregou-se a inúmeras paixões, sem se ralar com os comentários da sociedade e esquecendo o seu grande valor artístico.
Por fim, já com 52 anos, junta-se com um adolescente de dezasseis anos, com quem vive até à morte.
Ainda criança, vezes sem conta, na casa da família do pai, culta e abastada, refugiava-se nos aposentos dos serviçais e deleitava-se com as músicas e danças africanas, fazendo-lhe ferver o sangue das origens, que lhe corria nas veias. Ela é considerada a primeira compositora de música popular para o Carnaval do Brasil.
Por isso, ao longo de gerações, era a compositora com mais sucessos musicais no famoso Carnaval brasileiro.
Em 1899 escreveu uma música que alcançou um êxito retumbante, "Ô, Abre Alas".
Muito cedo iniciou a sua longa carreira como compositora, já que aos 11 anos escreveu "Canção dos pastores".
De início era a música clássica que ela cultivava, mas, ao sentir-se desamparada e com os filhos para criar, dedica-se à música popular, quer compondo, quer tocando, quer mesmo ensinando e dá explicações de todas as disciplinas que lhe foram ministradas.
Em 1877 publica a 1ª polca, intitulada "Atraente".
O teatro musicado estava na moda e Chiquinha Gonzaga descobriu esse palco e tornou-se uma insigne actriz com as imensas composições que lhe brotavam em catadupa, naturalmente. Praticamente compunha todos os géneros de música: tangos, lundus, polcas, maxixes, fados, valsas, barcarolas, mazurcas, gavotas, quadrilhas, choros, serenatas, habaneras...
Não se notabilizou apenas como compositora. Foi a primeira maestrina a dirigir uma orquestra e chegou a dirigir a banda da Polícia Militar. Ainda, como mulher de forte sentido cívico e nacionalista apoiou os movimentos abolicionistas e pró-republicanos.
Toda a sua vida está cheia de romances, aventura e desventura, muita criatividade, alguns escândalos pelo seu comportamento social e, acima de tudo, muitíssima música. Musicou diversos libretos para peças portuguesas, de entre as quais, "As Três Graças" e "A Bota do Diabo". Em 1911 compõe a peça "Lua Branca", seguida, em 1915, de "Sertaneja". O seu maior sucesso foi a opereta "Forrobodó", em 1912, que atingiu as 1500 representações.
Aos 87 anos escreveu a partitura "Maria", para a peça de Viriato Correia.
A morte levou Chiquinha Gonzaga no dia 28 de Fevereiro de 1935.

José Fernandes da Silva

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