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Músicos célebres

Dmitri Shostakovich

Dmitri Dmitrievich Shostakovich teve o seu berço em S. Petersburgo, Rússia, a 25 de Setembro de 1906, imperava o czar Nicolau II.
Manteve-se na Pátria durante a revolução e ao longo da vida, comentando que o Ocidente permanecia como um mundo desconhecido e quase hostil. Ao contrário, outros grandes compositores russos do século XX, como Rachmaninov - que jamais regressaria à Patria -, Stravinsky - que apenas o faria no fim da vida e como turista - e Prokofiev - que, tendo ido para os Estados Unidos em 1918, regressou para conhecer o último período do stalinismo.
Filho de uma professora de piano e de um engenheiro, iniciou as aulas com a mãe, cerca dos 9 anos, sem que a arte musical lhe despertasse grande interesse. Contudo, depressa demonstrou ter um ouvido perfeito, uma extraordinária memória e enorme facilidade para ler as notas e dominar a técnica.
Em 1919, quando estala a guerra civil, ingressa no Conservatório de Leningrado. Três anos depois o pai morre e ele tem de trabalhar para sobreviver, acompanhando, como pianista, películas mudas nos cinemas de Liningrado.
Em 1 de Maio de 1926 estreia-se a sua primeira sinfonia, na Grande Sala da Filarmónica e pela Filarmónica de Liningrado, que se torna num triunfo para o compositor.
A música de Shostakovich deste período inscrevia-se na corrente renovadora e experimental do seu tempo. As novidades formais unem-se aos temas revolucionários e à sátira da burocracia. Não era um futurista nem estava filiado no Partido Comunista (muito embora se viesse a filiar mais tarde), mas dedicou a segunda sinfonia (1927) ao décimo aniversário da Revolução de Outubro e a terceira (1930) ao Primeiro de Maio e escrevia a sua primeira ópera "O nariz".
Em 1934, a aparição da sua segunda ópera, "Lady Macbeth do distrito de Mtsensk", confirmava o seu génio teatral. Durante dois anos a obra triunfou nos palcos de Moscovo e Leningrado, até que, de uma forma tão inevitável quanto inesperada, o compositor caiu em desgraça.
Em 1937, Shostakovich apresenta a sua quinta sinfonia, depois de ter retirado a partitura da quarta, ante os comentários desfavoráveis que suscitou entre as autoridades assistentes ao ensaio para a sua estreia. A quinta sinfonia define-se como "a resposta creativa de um artista soviético a uma crítica justa".
Obteve muitos êxitos com as suas sinfonias de guerra, particularmente, a sétima, baptizada "Leningrado", que veio a público em 1942 e logo proclamada como um símbolo da luta do povo russo contra o invasor alemão.
Era total a clandestinidade de Shostakovich. Escondidas tinha as obras mais pessoais, como o "Concerto para violino nº 1", as "Canções da lírica judaica", o "Quarteto nº 4", pagando, entretanto, o seu tributo ao regime, com composições laudatórias, como o "Canto dos bosques" ou "O sol brilha sobre a nossa Pátria".
Compôs música bastante diversificada, mas onde foi grande, foi na sinfonia, deixando-nos quinze.
A 9 de Agosto de 1975, na cidade de Moscovo, exalou o seu derradeiro suspiro.

José Fernandes da Silva

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