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Músicos célebres

Franz Schubert

Franz Peter Schubert, o compositor e músico que dotaria o mundo musical da Viena dessa época inigualável, com melodias liederísticas e com ritmos de valsa, que permaneceriam até ao tempo de Mahler, nasceu a 31 de Janeiro de 1797 em Liechtenthal, nos arredores de Viena.
Seu pai era um respeitado mestre de escola e não teve dificuldades em fazer o filho ingressar no Seminário da Capela Imperial, onde receberia uma educação musical da máxima qualidade das mãos de António Salieri.
A orquestra e coro do Seminário interpretavam música sagrada e profana de grandes compositores, como Joseph Haydn, Mozart, Cherubini, Beethoven; e de compositores menos importantes, embora muito conhecidos na altura, como Michael Haydn, Eybler, Winter, Sussmayr, Albrechtsberger, Hummel, Weigle, evidentemente, Salieri.
Nos seus primeiros anos de formação exerceu sobre ele a tendência tradicionalista e nela criou páginas incontáveis, onde predominava a música religiosa, a sonata e a sinfonia, aliás o protótipo dos mestres vienenses de tendências pós-clássicas. E a verdade é que a forma-sonata da tradição de Viena encontra em Schubert um fiel guardião.
Esta situação dará motivos a muitos para o criticar abertamente como cultivador das grandes formas, sem ter em conta a maneira como estas formas nasciam das suas mãos, inocentes, mas destruidoras.
Schubert foi ao longo da vida um contestatário da situação política e social e o seu viver foi o de um perfeito boémio, não se interessando com o dia de amanhã. Procurou conhecer bem a sua Áustria, cuja beleza descreveu com grande sentimento nas cartas aos amigos e admirava a Hungria, cujo folclore, em versão livre, se pode apreciar nos ritmos, nas harmonias e nas melodias de muitas das obras instrumentais da sua última época.
Ao longo de alguns anos exerceu a profissão do pai, mas, em 1816, abandonou a escola para sempre e decidiu viver do que ganhava como compositor. Vivia quase sempre na casa dos amigos e de quem lhe dava trabalho, como os condes Eszterhazy, parentes da família princepesca que tinha ajudado Haydn, de cujas filhas foi professor de música durante uma época.
Trabalhava, dormia e comia em qualquer sítio, representante fiel de uma existência boémia e uma obstinação da sua outra personalidade, onde repousava o espírito de bom rapaz, do filho de um funcionário do Estado, do discípulo predilecto de Salieri, do candidato desamparado aos lugares oficiais de mestre de capela, que nunca obteve.
Maltratado e enganado pelos editores, produzia música como uma grande força da natureza, acumulando uma enorme quantidade de manuscritos, mais tarde descubertos, após a sua morte, pelo emocionado Schumann que, entre outras obras, desenterrou a grande "Sinfonia em dó maior".
Apenas pouco tempo antes de morrer (de uma febre tifóide), consegue organizar um concerto público com música sua. Com a magra receita compra o seu primeiro e último piano, no qual compõe as três derradeiras sonatas.
A sua vida como homem e artista, desenvolveu-se no meio de um reduzido círculo de amigos cultos e entusiastas. Era um ambiente de homens independentes, que hoje definiríamos de esquerda, mais ou menos contrários ao regime da restauração austríaca, mas mais ou menos integrados.
Este leque era formado por homens de leis, como Joseph Spaun e Franz von Schber; poetas, como Johann Mayrhofer e Eduard von Bauernfeld; pintores, como Moritz von Schwind e Leopold Kupelwieser; músicos, como Huttenbrenner...
Cultivou muitos géneros de música: valsas, marchas, variações para piano a quatro mãos - a música de salão, que era a forma ideal de compor em casa com e para os amigos; corais, centenas de lieder, duetos e tercetos para voz e piano; sonatas, sinfonias, imensa música religiosa; trios, quartetos, quintetos, sonatas para piano solo ou com outro instrumento.
Apenas com 32 anos de idade e solteiro, Schubert morreu a 19 de Novembro de 1828, no distrito de Wieder, na casa de seu irmão Fernando, nos subúrbios de Viena e foi enterrado no cemitério de Friedort.

José Fernandes da Silva

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